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C. G. Jung, o grande psicólogo e psiquiatra suíço, resume de forma magistral a atitude com a qual nos devemos aproximar: Segundo a tradição do taoismo, o homem reúne em si as energias do Céu e da Terra. O seu corpo é composto pelos mesmos elementos da Terra, é por ela nutrido e, através da respiração, absorve a energia do Céu. Do ponto de vista holístico (o qual concebe o homem e o universo como um todo), o homem rege-se pelos mesmos ciclos que regem a natureza e sofre, simultaneamente, a influência desses mesmos ciclos. O que quer dizer que o homem deve viver de acordo com os ciclos da natureza e em harmonia com as energias do Céu e da Terra. No entanto, o nosso comportamento actual é de total negligência e desinteresse para com estes ciclos e energias e, por isso, sofremos penalizações. Todos nós sabemos, por exemplo, que é comum no fim da Primavera, aumentarem os casos de problemas hepáticos, enxaquecas, terçolhos, vista irritada. No fim do Verão, os casos ligados a problemas no coração, no fim do Outono, as asmas, bronquites, diarreias e, no Inverno, os problemas reumáticos. Muito além de ser apenas um Oráculo, o I Ching, juntamente com os 2 livros canónicos do taoismo, o Nei Ching e o Tao Te Ching forma um guia de sabedoria e de alquimia, que nos ensina a compreender e respeitar o ciclo natural da própria vida! Mostra-nos os princípios de conduta baseados em ensinamentos dos mestres da tradição e faz-nos compreender com mais clareza a beleza da mutabilidade da Vida. Mostra-nos como "sentir em que direcção o vento sopra", ajuda a abandonar as nossas certezas e permitir que o novo chegue! Falar sobre o I Ching é falar da Sabedoria que rege esta constante dança de ciclos dos "dez mil seres" que estabelece a Vida! No I Ching encontramos respostas apoiadas nas Leis da Natureza:
“No passado, os sábios observavam os sinais e adaptavam-se aos fenómenos naturais; não eram afectados pelas influências externas ou por energias perversas e obtinham a longevidade. Se não se observam as regras das energias elementares de acordo com as estações, a energia do fígado estagnará, resultando em doenças na Primavera. No Verão, a energia do coração ficará vazia e a energia Yang será esgotada. Durante o Outono haverá congestão na energia dos pulmões. No Inverno haverá uma drenagem de Jing (a principal energia do homem, armazenada nos rins). A transformação do Yin (energia da Terra) e do Yang (energia do Céu) ao longo das quatro estações é a base do crescimento e da destruição da vida. Os sábios cultivavam a energia Yang na Primavera e no Verão e conservavam a energia Yin no Outono e no Inverno. Seguindo a ordem universal, é desta forma que o crescimento ocorre naturalmente. Se esta ordem é quebrada, a raiz da vida será prejudicada e a energia ancestral (Jing) sofrerá um declínio”. |
“Utilizado como Oráculo desde a mais remota antiguidade, o I Ching, considerado o mais antigo livro chinês, é também o mais moderno, pela notável influência que vem exercendo, de uns anos para cá, na ciência, na psicologia e na literatura do Ocidente, devido não só ao facto da sua filosofia coincidir, de maneira assombrosa, com as concepções mais actuais do mundo, como também pela sua função como instrumento na exploração do inconsciente individual e colectivo.
O despertar da Primavera é representado no I Ching pelo hexagrama TAI - A Paz, que simboliza a criação dos seres, prosperidade, harmonia, os valores luminosos em ascensão, os obscuros em retirada. É época de criar, originar, nutrir, mover e crescer. Sua imagem é o nascimento.
O Verão é representado por CH’IEN - O Criativo, que simboliza a força luminosa, a culminação. É época de implantar, desenvolver, realizar e estabilizar o que já foi originado, sua imagem é o fruto de uma árvore.