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| Arco e Flecha Zen |
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Desde a Pré-História, o arco e flecha, foi utilizado por vários povos, tais como os Egípcios, os Assírios, os Babilónios, os Chineses, os Mongóis e tantos outros, primeiro como arma de guerra e de caça, depois como desporto (Gregos) e como arte meditativa (Japão). Ficou na história do Japão feudal, onde se desenvolveu de duas formas: Yabusame e Kyudo, traduzido como a Via do Arco e Flecha. Influenciada pelos preceitos do Budismo e Confucionismo chinês e pelo Xintoísmo, esta arte fazia parte do modo de vida dos Samurais e do seu código de honra, o Bushido, como prática de concentração, meditação activa e auto-compreensão, transformando uma técnica mortal na "arte cavalheiresca do Arqueiro Zen". Esta prática é muito benéfica para os jovens. Desenvolve, de maneira gradual, maior concentração e clareza mentais, elimina estados de ansiedade e temores, relaxa o fluxo intenso dos pensamentos, dando maior capacidade de concentração e auto-confiança. Estabelece nos praticantes, a conduta da verdadeira disciplina, de maneira natural e espontânea. Por ser uma técnica meditativa, é também muito indicada para adultos, harmonizando a conduta do dia-a-dia, numa actividade de busca do equilíbrio interior e as exigências da vida quotidiana. Adaptando o arco recurvo à prática meditativa, esta actividade não é competitiva. Busca proporcionar ao praticante uma via de auto-conhecimento, através da correcção da postura e de técnicas de respiração e concentração. " Quando o mestre Kenzo Awa explicava que o tiro com arco consiste em deixar partir a flecha sem a intenção de acertar, de atirar sem apontar, Herrigel, seu aluno europeu, não pôde deixar de dizer: - Nesse caso, o mestre deve ser capaz de atirar de olhos vendados. O mestre pousou nele um olhar prolongado, antes de lhe marcar um encontro para a tarde desse mesmo dia. Já era noite quando Herrigel foi introduzido no dojo. O mestre Awa convidou-o primeiro para um cha no yu, uma cerimónia do chá que ele próprio realizou. Sem proferir uma palavra, o ancião preparou o chá com todo o cuidado e depois serviu-o com uma imensurável delicadeza. Cada um dos seus gestos se desdobrava com a precisão e a elegância que só uma grande concentração pode dar. Os dois homens mantiveram-se em silêncio para poderem saborear convenientemente este harmonioso ritual. Um instante de eternidade, como dizem os Japoneses. Seguido pelo seu hóspede, o mestre atravessou depois o dojo e foi colocar-se à frente do átrio que resguardava os alvos, colocados a sessenta metros de distância. O átrio encontrava-se mergulhado na penumbra e dos alvos apenas se conseguia descortinar os contornos. Obedecendo às instruções do mestre, Herrigel foi lá colocar um alvo, deixando, no entanto, as luzes apagadas. Na volta, reparou que o velho arqueiro se preparava para a cerimónia do tiro com arco. Após uma saudação dirigida ao alvo invisível, o mestre deslocou-se, dando a ideia de deslizar sobre o soalho. Os seus movimentos sucediam-se com a lentidão e a fluidez de uma língua de fumo que rodopia docemente ao sabor do vento. Ergueu os braços e depois baixou-os. O arco retesou-se devagarinho, até que a flecha partiu bruscamente, mergulhando na obscuridade. O mestre permaneceu imóvel, com os braços esticados, como se acompanhasse a flecha até ao seu destino desconhecido, como se o tiro se prolongasse numa outra dimensão. Logo a seguir, e mais uma vez, o arco e a flecha voltaram a dançar nas mãos dele. A segunda flecha silvou como a primeira e foi devorada pela noite. Cheio de pressa e curiosidade, Herrigel foi acender as luzes para ver onde se tinham cravado as flechas. A primeira encontrava-se no centro do alvo; a segunda, mesmo ao lado, ligeiramente afastada pela precedente que tinha tocado e da qual arrancara vários centímetros de bambu. Herrigel foi buscar o alvo e felicitou o mestre pela façanha conseguida. Mas este retorquiu: - O mérito não me pertence. Isto acontece porque deixei agir em mim uma «coisa qualquer». E foi esta «coisa qualquer» que permitiu às flechas se servirem do arco para se juntarem no alvo." |
"De uma extremidade do seu arco,